Vulnerabilidade das Mulheres em Quarentena pela Pandemia

Banco de Imagens – Violência Doméstica na Quarentena
  • Com a redução do convívio social e a proximidade com o agressor, a tendência é que mais conflitos aconteçam por características da própria crise: a existência do medo, da questão financeira, da experiência do isolamento.
  • Não só a mulher fica submetida a um ambiente de violência, como também fica desamparada, sozinha, sem poder contar a alguém o que está acontecendo.
  • Sem dúvida, a pandemia de coronavírus terá impactos negativos na economia. Sabemos por pesquisas que a queda da condição financeira e estressores econômicos estão relacionados ao aumento do risco de violência contra as mulheres. 
  • À medida que os recursos se tornam mais apertados, as mulheres também podem estar em maior risco de sofrer abusos econômicos – impedidas por um parceiro abusivo de acessar fundos ou ativos ou receber recursos negados, como alimentos ou medicamentos. 
  • As mulheres, particularmente as mulheres negras e as imigrantes, estão desproporcionalmente representadas em empregos que, a grande maioria em ocupações informais (sem plano de saúde ou licença médica paga, por exemplo), restringindo assim opções viáveis ​​para escapar de uma situação abusiva.

Deve-se notar também que todas as opções acima provavelmente serão exacerbadas para sobreviventes de comunidades extremamente vulneráveis, como imigrantes e refugiadas. Essas populações já estão vivendo em um clima de medo devido a políticas anti-imigrantes. Acredita-se que esse medo de deportação seja um dos principais motivadores dos relatos de menor utilização das forças policiais pelas sobreviventes imigrantes. Além disso, as organizações que atendem a essas comunidades geralmente são sub-financiadas.

A boa notícia é que muitas agências nacionais de violência doméstica, organizações de defesa e coalizões estaduais já começaram a emitir declarações e implementar planos de contingência sobre como melhor servir os sobreviventes durante esta crise. Isso inclui orientações úteis para prestadores de serviços, sobreviventes e o setor de saúde. Além disso, todas as discussões sobre a resposta ao coronavírus, incluindo qualquer legislação de alívio ao covid-19, devem garantir a proteção das mais vulneráveis. 

Todas as respostas de saúde pública e médicas ao coronavírus devem centralizar a eqüidade, incluindo a eqüidade de gênero e a proteção contra a violência. Porque para muitos, uma doença viral mortal é uma das muitas coisas que as mulheres temem.

Recursos para Apoio a Violência Doméstica

A fim de orientar governos, nesta semana, a ONU Mulheres publicou um estado sobre as dimensões de gênero na resposta ao novo coronavírus na América Latina. Nele, a organização ressalta que “as mulheres continuam sendo as mais afetadas pelo trabalho não-remunerado, principalmente em tempos de crise”.

O documento ainda faz uma série de recomendações, incluindo garantir a continuidade dos serviços essenciais para responder à violência contra a mulheres e meninas. 

As vítimas podem solicitar na própria delegacia a implementação de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Quando acionadas no momento da ocorrência, o pedido é encaminhado diretamente ao Ministério Público. O sistema de Justiça estará atuando na concessão de medidas protetivas.  

Já em outras delegacias comuns, recomenda-se que as ocorrências sejam registradas pela internet e validadas pela delegacia responsável pela região. A SSP (Sevretaria de Segurança Pública) diz que o atendimento presencial será prioritário em casos de violência doméstica ou contra crianças e adolescentes; morte e desaparecimento; estupro, sequestro e cárcere privado; roubo, extorsão e flagrante.  

Segundo comunicado da Prefeitura de São Paulo, os serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência, em especial as DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) continuam em funcionamento 24h. Qualquer registro de ocorrência também pode ser registrado online, por meio do site oficial da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Nesse período, os Centros de Cidadania e de Referência para a mulher estão com horário diferenciado, mas a Casa da Mulher Brasileira permanece em atividade por 24 horas ao dia, inclusive aos finais de semana. 

Ligações para 180 para Violência contra a Mulher

Val Sátiro, Founder, Interação Saúde Mulher, para o Blog da Watari Care: https://www.wataricare.com.br/mulheres-e-o-novo-coronavirus-26.html

Leave Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *