Diversidade Feminina: a saúde da mulher e o patriarcado

Simone de Beauvoir, Paris, 1945

Diversidade Feminina: a saúde da mulher e o patriarcado

**Val Sátiro Oliveira

Sobre como o sistema de saúde não está isento do alcance do patriarcado.

Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”

Desde que decidi falar abertamente sobre minhas questões de saúde e sobre a quase devastação da minha dignidade como mulher, relutei em assumir meu viés no #feminismo , porém, as questões de gênero precisam DESPERTAR, e para mudarmos as perspectivas de disparidade, é pelo conhecimento…

Assim, não há como fugir, e tenho como missão, disseminar também, que o modo atual de saúde é patriarcal. Freqüentemente, uma abordagem de tamanho única é adotada, mas como única é baseada em homens, automaticamente as mulheres estão em desvantagem. Apesar de haver evidências para apoiar este caso, há uma falta de foco na retransformação do sistema. De uma perspectiva que vai da saúde pública a privada, sabemos que uma boa saúde é preservada pelos determinantes sociais da saúde, como nível socioeconômico e educação. Estes são determinados pela sociedade em que vivemos. Como vivemos em uma sociedade patriarcal, o preconceito de gênero é institucionalizado pelo sistema de saúde.

Acho paradoxal demonizar a pesquisa biomédica e o sistema de saúde, mas é difícil para mim ignorar o fato de que as mulheres estão perdendo. O tratamento médico infelizmente não existe no vácuo para o resto da sociedade, então não é impermeável ao preconceito de gênero e ao racismo, mesmo quando as drogas são feitas para salvar vidas. A questão do preconceito de gênero no sistema de saúde afeta desproporcionalmente as mulheres trans, mas no escopo deste artigo isso não será avaliado (ainda, uma hora terei que falar sobre). Vivemos em uma sociedade onde a dor feminina costuma ser mal diagnosticada. Uma sociedade onde a conversa sobre a saúde da mulher é frequentemente dominada pela capacidade da mulher de se reproduzir, enquanto outros aspectos da saúde são frequentemente descartados. Isso acontece com mais frequência em diagnósticos médicos de condições ginecológicas.

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“Quando se trata de condições como a endometriose (como no meu caso), a dor e outros sintomas são negligenciados ou subestimados porque o foco principal é a fertilidade. Existe uma atitude na sociedade que, enquanto você, como mulher, puder se reproduzir, você está bemSomos pressionadas a sofrer em silêncio, porque a dor que sentimos nos foi vendida como apenas um ‘pequeno’ desconforto. 

Embora o preconceito de gênero seja mais proeminente no tratamento de condições ginecológicas, é perpetuado em outras áreas da pesquisa em saúde, bem como em intervenções e tratamentos médicos. A pesquisa mostra que a adesão ao tratamento difere entre homens e mulheres e as mulheres são mais propensas a ter uma reação adversa a um medicamento do que os homens. A abordagem de tamanho único, até certo ponto, pode ser atribuída a limitações orçamentárias; no entanto, o tratamento baseado em gênero tem benefícios abrangentes, inclusive econômicos a longo prazo. No entanto, os medicamentos não estão sendo testados adequadamente em mulheres, pois as mulheres tendem a não participar de estudos clínicos. Este é um motivo de preocupação ainda porque os tratamentos inovadores estão sendo adaptados para os homens. Também as drogas comuns, como a aspirina, atuam de forma diferente em homens e mulheres. A participação das mulheres em ensaios clínicos, no entanto, é apenas parte do problema. A pesquisa biomédica acontece em instituições acadêmicas predominantemente governadas por homens, portanto, há uma lacuna distinta quando se trata de observar o gênero como um determinante da boa saúde. Se os homens estão definindo a agenda da pesquisa em saúde, as mulheres nunca serão priorizadas.

Acho que se os homens tivessem cistite com a mesma frequência que as mulheres, agora haveria cura. Ou pelo menos um tratamento mais eficaz do que uma “cistopurina*“. 

Também existe uma grande disparidade entre a forma como o sistema de saúde trata as mulheres e seus filhos no momento do nascimento. Enquanto as mulheres se enquadram no papel de ‘máquinas de fazer bebês’, durante a gravidez o sistema de saúde está totalmente equipado para fornecer amplo suporte, oferecendo check-ups regulares. Estatisticamente, nunca foi tão seguro dar à luz em um país rico, mas, quando o bebê nasce, o apoio que o sistema de saúde oferece às mulheres diminui drasticamente. Não há evidências de que as taxas de depressão pós-parto estejam caindo, mas o suporte AINDA não aumentou.

Mais de 90% das mulheres experimentam rupturas nos músculos do assoalho pélvico após o parto; às vezes, isso é grave a ponto de haver a possibilidade de incontinência fecal. Como isso pode ser rotulado de inconveniente? Este é um lembrete gritante de que as mulheres, mesmo quando os sintomas são visíveis, precisam justificar sua dor. Como sociedade, não estamos fazendo o suficiente para desmantelar a imagem bonita, mas falsa, de que as mulheres estão milagrosamente em sua melhor forma depois de ter um bebê. Há uma retórica de que as mulheres têm filhos desde sempre, portanto, trata-se de sobrevivência sobre o bem-estar (e parece que enfim, a pauta diversidade, equidade de gênero, educação, saúde e bem-estar, vem crescendo e espero sinceramente de coração, que evolua, pois há muito o que se fazer).

Em 2019, dei o início de uma mudança na conversa sobre a saúde da mulher, pelo meu histórico, e desejo ver mais também, celebridades e mulheres publicas, passarem a discutir francamente sobre suas dificuldades em suas saúde físicas e emocionais, como mães, e outras demandas, pois é um bom começo e apoio. Assim trago, uma proposta, para dar às mulheres ao nosso redor, via plataforma espaço para discussões sobre nossas dores, porém com soluções positivas. Ainda outro dia, via uma pesquisa publica, mostrando que se uma mulher está tendo vários abortos espontâneos, o esperma também deve ser testado. É ridículo que as mulheres tendam a ser as únicas culpadas pelos abortos espontâneos, quando claramente são necessários dois para dançar o tango

O melhor que pretendo, é tentar fazer com que 2021 seja o ano em que a saúde integral da mulher, comece a ser priorizada de forma adequada!

Val Sátiro Oliveira – Fundadora – Interação Saúde Mulher – Conhecimento e Cuidados na Saúde Feminina.

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