Precisamos falar sobre o Bem-Estar Menstrual

Bem Estar Menstrual
Foto divulgação Blog Mulher com Saúde

*Val Sátiro Oliveira

Problemas relacionados à menstruação afetam uma proporção significativa da população no Brasil e no mundo, que são mulheres em idade reprodutiva, afetando seu bem-estar físico, psicológico e social.

No Brasil, uma estimativa:

  • Uma em cada cinco mulheres em idade reprodutiva sofre de forte sangramento menstrual;
  • Uma em cada 20 mulheres com idades entre 30-49 entra em contato com seu médico de família com forte hemorragia a cada ano;
  • Uma em cada 10 mulheres em idade reprodutiva sofre de endometriose que afeta quase 10 milhões de mulheres no Brasil – o mesmo número com diagnóstico de diabetes;
  • A endometriose custa à economia de saúde e assistência social cerca de R$ 8,2 bilhões / ano.

Há um sub-reconhecimento dos problemas que as mulheres com disfunção menstrual enfrentam, com muitas mulheres não percebendo que seus períodos não são “normais”, um resultado direto da falta de educação sobre a saúde menstrual. Esse sub-reconhecimento e os ‘tabus’ em torno do assunto significam que muitas mulheres estão comprometidas, pois não têm o poder de solicitar apoio para ajudá-las a frequentar a escola, faculdade ou trabalho por vários dias e meses por ano.

O impacto psicológico também é subestimado e uma pesquisa recente de mulheres com sangramento menstrual intenso descobriu que em 1000 pesquisadas:

  • 74% experimentaram ansiedade
  • 67% sofreram com depressão

Grupos diversos já estão liderando a campanhas da Pobreza Menstrual, para aumentar a conscientização sobre os problemas sociais que muitas mulheres encontram, incluindo o fardo financeiro de absorventes internos e externos, e pela Interação Saúde Mulher, temos como um dos desafios levar o tema bem-estar menstrual para escolas, melhorar o conhecimento e reduzir os tabus.

A Saúde da Mulher deve ser identificada como uma prioridade inclusive como política pública, trabalhando em estreita colaboração com as partes interessadas, incluindo o Grupo de Endometriose e outras doenças provindas do ciclo menstrual, o que incidirá sobre a saúde menstrual e o bem-estar.

Uma publicação recente sobre endometriose, menopausa pela Universidade de Tóquio, delineia claramente uma abordagem baseada em evidências para gerenciar essas preocupações, com a maioria delas sendo na atenção primária. Assim enfermeiras e médicos de atenção primária, precisam de recursos relevantes, para poderem identificar e apoiar neste processo de educação e prevenção.

Temos como propósito estar neste apoio principalmente para bem-estar menstrual das adolescentes e meninas em idade escolar, para conscientizar que não é normal ter dores, e além do apoio na educação pretendemos desenvolver um kit de ferramentas. Este recurso incluirá recomendações para o autogerenciamento da disfunção menstrual, para breve busca de apoio e informações na saúde da mulher, com materiais de conhecimentos essenciais. Outros recursos educacionais que pretendemos produzir incluirão e-learning sobre endometriose, podcasts e recursos para apoiar no processo educativo, para o bem-estar menstrual, e facilitar o acesso a possíveis diagnósticos precoces.

**Val Sátiro Oliveira – Fundadora da Interação Saúde Mulher – Plataforma Digital para Educação Preventiva na Saúde Feminina –www.interacaosaudemulher.com.br

Texto original exclusivo para o Blog Mulher com Saúde

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